Conta Própria
Mais experiência num mercado de economia planificada
Rui M. dos Santos
Eu estava trabalhar em pleno na Plessey.
Acontece que eu, era empregado local e, apesar de, comparativamente aos outros angolanos do País eu até ganhar bem, facto é que os meus colegas expatriados ganhavam 20 vezes mais. Não estamos a falar em ganhar mais, estamos a falar em ganhar 20 vezes mais. Até determinada altura aceitei a situação até que tive uma situação onde, o meu director ( que eu até admirava ) se aproveitou do meu trabalho para se promover na hierarquia da empresa sem fazer uma simples referência ao meu nome. Eu, que, devido ao meu conhecimento do sistema de alfandega, importação e bancário de Angola ( grande parte aprendido no Abbott) tinha conseguido encontrar todos os documentos e "pagar" a totalidade da divida angolana do Estado e da filial a Plessey Portugal fui ignorado em todo o processo informativo à chefia de Portugal. Ele, assumiu isso num memo que anexava os cheques da totalidade da divida angolana e que por acidente vi, com as palavras "... Finalmente consegui ..." Conseguiu nada... Eu tinha feito o trabalho todo. Pelo menos uma referência deveria ser feita.
Aí bravei .. Se até o meu chefe que eu admirava me traía ... Ele que ganhava 20 vezes mais do que eu ... Eu era a mula !
Então fiz um memo à direcção a solicitar a revisão salarial mais ou menos nos termos seguintes " ... ou me pagavam igual aos expatriados ou eu saía ..."
A direcção não aceitou e eu "saí" ... Técnicamente fiquei desempregado.
Como satisfação para me substituirem mandaram vir dois expatriados e tiveram que terceirizar um monte de serviços porque eles quase nem saiam do escritorio.
Atá para fazer a contabilidade veio um expatriado (algo que eu fazia num dia como explicado no artigo Abbott)
Mas o objetivo deste artigo não é falar sobre a saida da Plessey mas sim explicar o que fiz até criar a empresa Protecnica.
Voltei ao meu trabalho de 72... Vendedor .. Passei a "vender a quem quisesse comprar" coisas que precisavam.
Arranjei um leque de fornecedores estrangeiros e fui fazendo alguns negócios "registado como agente em nome individual"
Vendi fechos eclair para os uniformes militares
Vendi material escolar para o Centro Nacional de Alfabetização ( só para terem uma ideia se alinhasse camions DAF com todo o material vendido, cerca de 20 de Akz ( cerca de 666 mil USD ) estamos a falar em camions alinhamos desde o Porto de Luanda até quando ao primeiro de maio ... Esferograficas BIC, cadernos, quadros, giz, lapis, borrachas, afia lapis ...
E tudo isto poupando ao CNA o equivalente a 10M de Akz ... O director do CNA ficou bem cotado no Min da Educação por isto ...
HOJE este negócio seria pelo menos de 10 a 15 vezes mais em termos de valor para as mesmas quantidades.
Não me lembro agora de outro grande negócio mas lembro-me de ter mandado vir amostras
Calçado de uma empresa portuguesa da VIARCO
Aguardentes e produtos vinicolas das Caves do Alto Viso
Lembro-me de viajar para Amesterdan, comprar produtos electrónicos, sobretudo HiFi e trazer como bagagem para Angola e vender em Angola ... Trocar os Kwanzas de novo no paralelo e voltar a viajar e voltar a trazer mais produtos. Terei feito isto umas 3 ou 4 vezes neste período.
Convencido que não seria possivel criar uma empresa privada nova em Angola, foi neste interregno que tentei assumir a gerência da STAG e depois do Polonio Bastos